sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Poema de um Pai




Silêncio,
Estamos aguardando o contato.

Ansiosos,
Precisamos estar atentos e sensíveis a sutileza dos sinais.
O sinal pode ser quase imperceptível:
Pode ser um movimento de corpo, um apertar de mão, um som emitido com uma tonalidade diferente.
Como também pode ser: uma doce palavra.
E até pode ser: um gracioso e maravilhoso olhar. Destes, que explica toda nossa espera e revigora de força as nossas mais íntimas esperanças.

Aguardamos ansiosos o contato.
Hoje, amanhã. Quanto tempo for necessário.
Podemos esperar a eternidade porque temos a certeza que ele acontecerá.
E será o dia mais feliz de nossa vida.

O mundo que aguarda  o contato com as ausentes e disformes vidas que habitam os confins do universo.

Nós aguardaremos o contato
com os nossos belos e presentes filhos.
E aqui estamos muito mais atentos,
muito mais esperançosos.
E pacientemente estamos construindo um belo espaço para o encontro.

Enquanto construímos,
contentamo-nos com a visão dos seus corpos lindos e de seus movimentos, ainda, indecifráveis.

Eles são belos e rápidos,
parecem filhos do vento.
Evitam qualquer contato com a pesada matéria da qual somos feitos.

Devemos observá-los.

É necessário construirmos um mundo leve,
cheio de abraços e sorrisos.
Um mundo que espera.

É necessário construirmos um mundo afetivo e pacífico
para atrairmos essas belas criaturas.

As palavras são estruturas rígidas,
mais rígidas do que queremos expressar.
E muitas vezes machucam, nos afastam e nos fazem chorar.
Por isto é necessário o silêncio, o toque,o afago e a proximidade.
E é destes tijolos leves que devemos construir o nosso espaço de espera.

Silêncio,
estamos pacientemente construindo um novo mundo.
Para nós e para os nossos filhos.
                                                                                                                  (Orlando Morais) 

Um comentário:

Luana disse...

Essas palavras refletem bem como nós, pais nos sentimos! Parabéns, foi emocionante