quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Em Recife!

A suplementação na Síndrome de Down é, tendo em vista os avançados conhecimentos em epigenética e nutrigenômica, um pilar tão importante no tratamento quanto a estimulação precoce, treino cognitivo, inclusão em escola regular e pode ser um fator de impacto no déficit intelectual dessas pessoas.
A epigenética e o uso de suplementos visa melhorar os desequilíbrios gerados em vários caminhos bioquimicos pela cópia extra do cromossomo 21. Impactos no ciclo de metilação, transfulfatação e em rotas de destoxificação corporal acontecem pela triplicação de genes cruciais. 
Os conhecimentos atuais em nutrigenômica permitem usar compostos naturais como folatos, vitaminas, minerais e anti oxidantes para inibir a expressão gênica ou atuarem como controladores de danos que possam estar acontecendo.
O EGCG vem sendo um dos compostos "queridinhos" da suplementação dos pacientes com Síndrome de Down. Sua importância é tão grande que o Lancet (um dos melhores periódicos médicos mundiais) publicou recentemente pesquisa que ocorreu entre 2012 e 2014 e que associava o EGCG ao treino cognitivo em pacientes de 16 a 34 anos. O resultado impressiona, já que houve diferença estatisticamente significativa entre os pacientes que usaram o EGCG. Isso significa que mesmo tendo o mesmo treino cognitivo os pacientes suplementados com a epigalocatequina-3-galato tiveram melhores respostas em uma bateria de testes que mediam sua memória episódica, função executiva e escalas de funcionalidade. 
Mas em termos bioquímicos por que isso ocorre? Qual é lógica que levou a essas pesquisas? Pessoa com Síndrome de Down super expressam um gene chamado DYRK1A, cujo locus é justamente no cromossomo 21. Esse gene por estar triplicado causa um distúrbio bioquímico no balanço entre a proliferação e a maturação de células neuronais e o EGCG age justamente como um inibidor da enzima DYRK1A, levando a melhora da maturidade neuronal, da degeneração de neurofibrilas e como protetor de Alzhemeir nestas pessoas.
Da mesma forma que muitas inverdades, como a Terra ser o centro do sistema solar, ou ser impossível voar foram quebradas, também vem caindo em desuso o não tratamento de síndromes genéticas. Entender a inibição e super expressão genicas é o caminho, não apenas para a Síndrome de Down como para várias síndromes genéticas raras
Artigo disponível:
Safety and efficacy of cognitive training plus epigallocatechin-3-gallate in young adults with Down's syndrome (TESDAD): a double-blind, randomised, placebo-controlled, phase 2 trial - The lancet Neurology - Volume 15, No. 8, p801–810, July 2016
Por: Dra. Camila Milagres

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